
Em Recife, arte, arquitetura e natureza se encontram em um lugar de atmosfera singular. Foi nesse cenário que a marca recebeu convidadas para uma visita à Oficina Francisco Brennand, um dos espaços culturais mais emblemáticos de Pernambuco, que neste mês também recebe a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo.
Entre esculturas, jardins, construções e obras que parecem fazer parte da própria paisagem, a experiência foi um convite a conhecer mais de perto o legado de um dos grandes nomes da arte brasileira e a descobrir novas perspectivas sobre a produção artística contemporânea.
Francisco Brennand: um artista em diálogo com o tempo

Nascido no Recife em 1927, Francisco Brennand construiu uma trajetória marcada principalmente pela cerâmica, mas que também passou pela pintura, desenho, gravura e escrita. Ao longo de quase cinco décadas de produção, desenvolveu uma linguagem artística própria, povoada por formas orgânicas, figuras humanas, elementos da natureza e referências simbólicas.
Em 1971, o artista ocupou as ruínas de uma antiga fábrica de seu pai, na Várzea, e transformou o espaço em seu ateliê. Foi ali que grande parte de sua obra ganhou forma, dando origem à Oficina Francisco Brennand.
Mais do que um local de produção, a Oficina se tornou parte indissociável de sua obra. As esculturas, murais, jardins, pátios e edificações criam uma espécie de universo próprio, no qual arquitetura e arte se misturam.
A obra de Brennand

A produção de Francisco Brennand é extensa e atravessa diferentes linguagens. Embora tenha se consagrado como escultor, o artista manteve ao longo da vida uma relação constante com a pintura e também produziu desenhos, gravuras, painéis, murais e textos literários.
Na Oficina, essas diferentes dimensões podem ser percebidas de maneira especialmente próxima. O espaço abriga conjuntos escultóricos, obras cerâmicas e murais distribuídos por ambientes internos e externos. São cerca de 2.300 obras preservadas pela instituição, incluindo mais de 500 peças nos Salões de Esculturas e centenas de trabalhos espalhados pela Cidadela e seus jardins.
A experiência de percorrer a Oficina revela, assim, uma obra que não está restrita a uma moldura ou a um espaço expositivo. Ela se estende pela paisagem e transforma o próprio lugar em parte da narrativa artística.
Oficina Francisco Brennand: um lugar onde arte e natureza se encontram

Localizada no coração da Mata da Várzea, a Oficina Francisco Brennand é hoje uma instituição dedicada à preservação e à difusão do legado do artista, além de atuar na promoção de práticas artísticas e culturais contemporâneas.
O conjunto reúne antigas edificações fabris, ateliês, espaços expositivos, jardins e uma capela, criando uma experiência que vai além da visita convencional a um museu. Entre as áreas verdes está um jardim projetado por Roberto Burle Marx, reforçando a relação entre arquitetura, paisagismo e produção artística presente em todo o complexo.
Foi nesse cenário que a visita com nossas convidadas ganhou ainda mais significado: uma oportunidade de desacelerar, observar e estabelecer novas conexões a partir da arte e da cultura brasileira.
A 36ª Bienal de São Paulo chega ao Recife

A visita à Oficina também acontece em um momento especial para a cena cultural pernambucana. Desde 8 de agosto, o espaço recebe a itinerância da 36ª Bienal de São Paulo, com a exposição Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática, em cartaz até 18 de outubro de 2026.
As itinerâncias fazem parte da história da Bienal de São Paulo desde 2011 e têm como proposta levar as exposições e os debates da Bienal para diferentes cidades, permitindo que as obras estabeleçam novas relações com contextos e públicos locais. Na 36ª edição, o programa chega a 15 cidades no Brasil e no exterior.
Em Recife, esse encontro ganha uma camada particular. De um lado, a produção contemporânea reunida pela Bienal. Do outro, o universo singular de Francisco Brennand, profundamente ligado à cultura, à paisagem e à história pernambucana.
Com curadoria da itinerância assinada por André Pitol e Leonardo Matsuhei, a mostra reúne obras de 14 participantes e foi pensada especialmente para dialogar com a arquitetura e o contexto da Oficina Francisco Brennand.
Entre os artistas e coletivos presentes estão Akinbode Akinbiyi, Alberto Pitta, Forensic Architecture/Forensis, Helena Uambembe, Julianknxx, Metta Pracrutti, Ming Smith, Nádia Taquary, Rebeca Carapiá, Shuvinai Ashoona, Suchitra Mattai, Vilanismo, Wolfgang Tillmans e Zózimo Bulbul.
Um encontro com a arte brasileira

Para nós, estar na Oficina Francisco Brennand ao lado de nossas convidadas foi também uma forma de celebrar a cultura, a criatividade e os encontros que nascem quando diferentes olhares se aproximam.
Entre a obra de Brennand, a arquitetura da Oficina e as novas perspectivas trazidas pela 36ª Bienal de São Paulo, Recife se revela mais uma vez como um território fértil para a arte e para a criação.
Uma visita para observar, descobrir e, sobretudo, criar novas conexões.